Minas do Camaquã - Especial

Comunidade prepara instalação de nova cruz nas Minas do Camaquã

Por farrapo.rs
16/01/2018 18:02
 

No dia 15 de outubro de 2015, um temporal causou diversos estragos nas Minas do Camaquã e derrubou um dos principais símbolos da região: a cruz. Mas a ausência deste símbolo da localidade parece estar com os dias contados.

É que um grupo de moradores e empresas se uniu para fazer uma nova cruz e colocá-la no mesmo lugar da antiga. A estrutura conta com 11 módulos e cada uma das partes pesa entre 200 e 325 kg. 

O maior desafio no momento é carregar os módulos até o topo da pedra e fazer a montagem. Os moradores José Deni Rodrigues (Derli), Martial Coelho de Souza e Januário (Pequeno), se comprometeram em fazer o serviço de forma voluntária. 

José Deni Rodrigues esclarece que não há uma data específica para colocação da cruz, mas está confiante de que as Minas do Camaquã terá novamente a cruz erguida neste ano.

 


Símbolo de fé e para pousos de avião

Francisco Matarazzo Pignatari, conhecido como Baby Pignatari, mesmo após a morte em 1977, ainda é um empresário conhecido nas Minas do Camaquã. Isto porque deixou um legado em se tratando de infraestrutura na localidade.

Pignatari assumiu o poder acionário da Companhia Brasileira do Cobre (CBC), em 1957. Fez acordo de cooperação com japoneses que durou 10 anos e após o término do contrato, em 1968, assumiu todo o staf da CBC.

Foi no final da década de 1960 que ocorreu a grande transformação das Minas do Camaquã, incluindo a construção da cruz.

Como o empresário viajava de avião, havia a necessidade de sinalização da região para facilitar os pousos de avião. Certa vez, Pignatari se perdeu durante o voo. Havia decolado do aeroporto de Bagé e seguia em direção as Minas do Camaquã. No entanto foi parar em Santana da Boa Vista.

“Foi o ponto culminante de que ali precisava ser feito alguma coisa. Após uma conversa com o padre Elcy Arboite, atualmente monsenhor na diocese de Cachoeira do Sul, Pignatari acatou a ideia do religioso: construir uma cruz e iluminá-la. Desta forma, serviria para dar proteção à comunidade e auxílio para pousos de avião”, contou José Deni.

A cruz foi produzida em tempo recorde em São Paulo, transportada de caminhão até as Minas do Camaquã e inaugurada no dia 22 de dezembro de 1968.

No livro Centauro de Bronze, de Alcy Cheuiche, consta que o arcebispo de Santa Maria, esteve presente na inauguração da cruz, mesmo receoso por Pignatari não ser católico. O acendimento das luzes foi feito pela primeira em um jantar no Clube de Engenheiros, onde hoje funciona a sede da Votorantim.

“A partir daí, 22 holofotes passaram a iluminar a cruz todas as noites. Em 1989, a cruz passou por uma restauração completa. Depois disso, com o encerramento da CBC, nunca mais passou por algum tipo de manutenção”, lembra José Deni.

Com cabos deteriorados e alguns furtados, somado ao temporal de 2015, a cruz não resistiu. Um episódio marcante, mas não derradeiro, já que neste ano, uma nova cruz deverá proteger Minas do Camaquã. E quem sabe, auxiliar em futuros pousos e decolagens.


Minas do Camaquã vista de cima


Por Eduardo Schneider

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