Opinião

O que as vacinas e a Guerra Fria tem em comum

11/09/2020 15:02
 

O período da chamada “Guerra Fria” compreende o fim da segunda guerra mundial e a extinção da União Soviética em meados de 1991. A Guerra é chamada de Fria porque não houve uma Guerra de fato entre as duas potencias dominantes da época, no caso os Estados Unidos e a então União Soviética. O que temos hoje, em relação as vacinas, é em um lado as vacinas Russa e Cubana e do outro as vacinas Inglesa, Americana e Alemã. Temos ainda a vacina dos estudos Chinês e Brasileiro. Nesse momento vou tratar sobre as mais divulgadas, não necessariamente essas são as mais seguras e testadas, mas a certeza que tenho é que a pioneira será uma vacina para atingir um mercado consumidor de aproximadamente oito bilhões de pessoas no mundo. A princípio, em nome de uma possível “soberania de estado”, as vacinas Russas e Cubanas estão na frente desta corrida. A vacina Gam-Covid-Vac, desenvolvida no Instituto Gamaleya, em Moscou, levou o nome de Sputnik V, em homenagem ao primeiro satélite artificial lançado no espaço em 1957, pela antiga União Soviética, na Guerra Fria. O que desperta dúvidas sobre a vacina Russa, é o fato dela ter sido testada e, apenas 76 indivíduos e o governo Russo já programa uma vacinação com previsão de para janeiro de 2021. Já a vacina Cubana, denominada Soberana 01, possui uma amostragem maior. O estudo traz uma amostra de 676 pessoas entre 19 e 80 anos. O que podemos ver de semelhante nas duas vacinas é a pouca transparência, ausência de debate nas comunidades internacionais e o principal, a “quebra” nas chamadas fases de testagem. Mas afinal, o que significam essas fases que tanto limitam o início das imunizações em todo mundo? Enquanto os ensaios pré-clínicos testam a prova de conceitos de um produto em animais de laboratórios, a convenção prevê que ensaios em uma fase 1 para a pesquisa de candidatos vacinais incluam a imunização de dezenas ou centenas de indivíduos para verificar se a resposta imunológica induzida é protetora. É importante testar se a vacina é segura e sua administração não causa efeitos adversos graves num curto prazo. Somente essa fase 1 poderia levar aproximadamente um ano. A fase 2, com objetivo de verificar a tolerância bem como a dose a ser aplicada, mesmo em caráter de urgência, poderia ter até dozes meses de espera. Por fim, a terceira e última fase, milhares de pessoas são vacinadas e os efeitos são observados na vida real.  Após as três fases, quando todos os resultados são conhecidos é que uma vacina pode ser produzida. Enquanto as vacinas de Oxford, e outras mais, encontram-se em fase 3 nos estudos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e praticamente toda a comunidade científica, clama por prudência, com vacinas ainda em fases embrionárias de testes, no qual os objetos estão mais para uma cortina de fumaça.

 

Mateus Frozza

Economista. Professor Universitário.

Mestre em Economia da Indústria e da Tecnologia (Unisinos). Doutorando em Ensino de Ciência e Matemática (UFN), com ênfase no Ensino da Educação Financeira.  Prestou consultoria, na indústria de extração mineral e farmacêutica. No setor de serviços, atuou no setor de vestuário e na alimentação. No setor público, secretário de Finanças do município de Santa Maria (2019/2020). Professor da Universidade Franciscana (UFN) e na Faculdade de Ciências e da Saúde (Sobresp) em Santa Maria - RS e de cursos preparatórios para concurso e especializações em diversas instituições do Estado.

Contato: mateus@frozzaassociados.com



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