Opinião

Os verdadeiros inimigos da humanidade

11/09/2020 15:08
 

             Nunca imaginei que esta pandemia fosse durar tanto. Desde o princípio, sabíamos que a vacina custaria mais de ano, talvez ano e meio. Mesmo assim. Eu acreditava que, com o número de casos e de óbitos em declínio, como estava acontecendo na Europa, a vida começaria a voltar a um certo normal, ainda que um novo normal; e aos poucos, obviamente. No entanto, não foi o que aconteceu.

            Angustiante. Estamos há praticamente cinco meses confinados. Só saímos de casa para trabalhar, no caso de quem não pode trabalhar de casa, pelo computador; e para ir ao supermercado, farmácia, posto de gasolina. Se íamos duas ou três vezes por semana ao mercado, agora só uma. Se íamos abastecer toda semana, agora enchemos o tanque. Sensação de encarceramento. Quase de claustrofobia. Inquietação. Nervosismo. Preocupação. Medo.

            Para os valentões de plantão, que jamais tiveram medo de algo ou de alguém, neste momento tremem as pernas para um inimigo invisível, mas poderoso, que pode matar. Quem não teme a morte, certamente não dirá que não receia perder um filho, um pai, uma mãe. A não ser aqueles seres, que de humanos não têm nada, além dos aspectos fisiológicos.

            Quando víamos pela televisão aquela multidão de chineses, todos com máscaras, aquilo parecia tão distante de nós, não só do ponto de vista geográfico. Parecia coisa de outro mundo, de outro século. Porém, chegou a nossa vez. Usar máscara se tornou tão importante quanto usar roupa. Antes, quem lavasse as mãos dezenas de vezes ao dia era paranoico. Antes, quem não dava a mão para cumprimentar era mal educado e antissocial.

            Além de tudo, é um vírus democrático. Afeta países de primeiro mundo, emergentes ou pobres. Não escolhe cor da pele, etnia, orientação sexual ou religiosa, ou classe social. Governadores, presidentes, primeiros-ministros; a elite ou a plebe. Não faz diferença ser honesto ou corrupto, santo ou bandido.

            Portanto, nunca foi tão importante termos responsabilidade. Com nossos familiares, com nossos amigos e com toda a sociedade. Não é momento de visitar absolutamente ninguém. Nem mesmo mãe, pai, irmão. Contato só com quem mora junto. Nada de quarentena na casa dos outros. Aquele que sai de casa para trabalhar está perdoado. Mas os que vão a festas, aniversários, eventos os mais diversos, mesmo que com poucas pessoas, hoje, são os verdadeiros inimigos da humanidade. Genocidas.

 

Cristiano Porto Alves

                                                                                                               Graduado em Letras Português-Espanhol, pela FURG

 

Pós-Graduando em Metodologias de Ensino da Língua Portuguesa e Literatura, pela UNOPAR

Professor da EEEM Prof.ª Gladi Machado Garcia (em Minas do Camaquã)

 



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